Artigo - 22/01/2026

Carnaval e festas: folia saudável ou dinheiro instável?

Ah…o carnaval! A maior festa do planeta acontece em nosso país e incentiva a diversão, mas não é só isso. Você sabia que o carnaval é um tempo de inversão da ordem social? Durante alguns dias, as regras são suspensas: o corpo se expressa livremente, os excessos são permitidos e o prazer impera. Não se trata de desordem pura, mas de uma “subversão ritualizada”, socialmente autorizada e emocionalmente necessária.

Você pode estar se perguntando, mas como assim, inversão? A inversão é de papeis: o rico se fantasia de pobre, o pobre desfila como como um rei, o homem se traveste de mulher, a mulher aparece em pele de animal e por aí “segue o baile”. Essa troca é permitida e estimulada.

Além disso, o carnaval funciona como uma imensa descarga de sentimentos: a alegria, o riso e o canto encontram espaço para extravasar, mas qual é o problema nisso? Pode existir dois grandes problemas: os sentimentos ruins que também são extravasados e a forma como o dinheiro é utilizado.

Quando a lógica do “tudo pode” – a lógica simbólica – chega ao bolso, os problemas vão muito além do carnaval. No cotidiano, o dinheiro está – ou deveria estar – associado ao controle, à disciplina e à contenção do desejo. No carnaval, essa lógica se inverte: “eu mereço”, “é só agora”, “depois eu resolvo”. A mente fica “confusa”, porque o que era limite vira permissão. O que era cuidado vira impulso. E o cartão de crédito, pix ou cheque especial viram uma extensão emocional do prazer.

O risco não está no carnaval em si, mas na confusão entre a fantasia e a realidade. O ritual e a festa terminam, mas as contas continuam. O carnaval ensina muito sobre quem somos! Quando as regras são suspensas, quando afrouxamos os limites, as nossas finanças pessoais revelam quem aguenta e arca com as consequências ou quem foge da responsabilidade, quando a música acaba. Entre a diversão extrema e a responsabilidade, existe um ponto de equilíbrio possível, basta você aceitar que o dinheiro também é comandado pelas emoções.

Mas, isso não acontece apenas no carnaval. Quantas festas de casamento, comemorações de formaturas, 1º ano do filho, 15 anos da filha, por exemplo, acabam se transformando em dívidas gigantescas? Extrapolamos a conta bancária em nome da alegria e do merecimento. Isso é ilusão e autossabotagem.

Para que você se proteja não é necessário abandonar as comemorações, mas sim decidir que não vai se sabotar. Garanta para si mesmo que a diversão de alguns dias, não se transforme em um sofrimento de meses. Siga nossas dicas e divirta-se:

Passo 1. Desconfie do diálogo interno do “merecimento”

Falamos para nós mesmo “eu mereço” quando o cansaço e o desânimo aparecem. Troque o “eu mereço” pela pergunta: “esse gasto vai aproximar ou afastar minha vida da tranquilidade e da riqueza?”

Por que isso funciona? Porque nem todo prazer compensa ou alivia, a maioria é apenas um conforto temporário.

Passo 2. Lembre-se: o carnaval suspende regras, e as festas suspendem a ideia de economia, mas não suspendem as consequências

As poucas horas ou dias de folia podem virar culpa, vergonha ou dívida. Por acaso, no carnaval, você fez algo que se arrependeu? Esperamos que não. Essa regra vale para outras comemorações, não comemore como se “não houvesse amanhã”.

Por que isso funciona? Porque ter controle emocional e financeiro ajuda você a atravessar as festas e as comemorações, sem que elas “atravessem” ou que atropele você.

Aproveitar, seja o carnaval, sejam outras festas não significa perder o controle, gastar sem limite ou beber até cair. Liberdade não é “fazer tudo”, é você saber que quando a última banda tocar, quando o último convidado for embora, quando a comemoração encerrar, você “não vai ter do que se arrepender ou se envergonhar”. Liberdade é festejar e comemorar com equilíbrio emocional e financeiro.

Márcia Tolotti
Autor

Márcia Tolotti

Psicanalista, psicóloga, escritora, especialista em psicofinanças e sócia da SOS MINDSET. Mestre em Cultura, MBA em Marketing e Especialista em Inovação e Cooperativismo.

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